Choque hipovolêmico: O que é ? Por que tão perigoso?

Um dos principais mecanismos abordados em aulas e instruções referentes a perda sanguínea é o "Choque hipovolêmico " mas para muitos fora da comunidade de saúde o conceito e as definições acerca deste fenômeno acabam se tornando um pouco complexos ou específicos demais.
Como muitos sabem nosso corpo possui uma quantidade média de litros de sangue para o funcionamento de nossa circulação sanguínea e oxigenação tecidual. Algumas literaturas nos trazem de 6% a 8% do nosso peso corporal , dando uma média de 5-6 litros de sangue totais em indivíduos com uma média de peso de 70-75 kgs variando sempre de individuo para individuo.
Essa quantidade sanguínea total é responsável pelo bom funcionamento dos nossos órgãos e células além de manter todo um equilíbrio vital para vida humana. sendo levado através de pequenos e grandes "tubos" chamados de veias e artérias. Quando ocorre um grande trauma ou ferimento capaz de danificar essas estruturas responsáveis por transportar este fluxo sanguíneo, temos então um extravasamento desse conteúdo para o meio externo, a isso damos o nome de hemorragia, que acarreta a chamada hipovolemia.

Hipovolemia: Redução do volume sanguineo. A hemorragia é a causa mais comum do Choque Hipovolêmico, pois dimiui a pressão de enchimento da circulação e como conseguência diminui o retorno venoso.
E a partir de que ponto uma Hemorragia pode se transformar
no Choque Hipovolêmico?
O principal fator a ser considerado reside na quantidade de volume sanguíneo perdido, tendo como variante o tempo em que aquela vitima tem seu conteúdo sanguíneo extravasado de seu corpo junto a extensão ou gravidade dos ferimentos. De forma didática:
Choque (conceito)- Fluxo sanguíneo inadequado generalizado pelo corpo, na extensão em que tecidos corporais são danificados, especialmente em decorrência do suprimento deficiente de oxigênio e de outros nutrientes para as células teciduais. ( Guyton & Hall 12 edição).
Segundo o PHTLS a perda sanguínea pode ser divida em classes:
Classe I- até 750 ml (15% do total de sangue no corpo) Ex: Doação de Sangue
Classe II- 750 a 1.500 ml (15%-30% do total de sangue no corpo)
Classe III- 1.500 a 2.000 ml (30%-40% do total de sangue no corpo)
Classe IV - Acima de 2.000 ml (Acima de 40% do total de sangue no corpo)
A partir da classe II temos um risco maior da instalação do Choque , sendo a fase IV sua fase irreversível que consequentemente leva o organismo humano a morte. O fluxo sanguíneo inadequado faz com que os tecidos corporais, comecem a se deteriorar, incluindo o coração e o próprio sistema circulatório: "O próprio Choque produz mais Choque".
Triade Letal
Junto a progressão do Choque Hipovolêmico um segundo e complexo fenômeno começa a instaurar-se nesta vitima com perda sanguínea excessiva, é a chamada Tríade Letal, composta por três principais elementos: Coagulopatia, Acidose e Hipotermia.
-Acidose: PH menor que o normal por conta do aumento de concentração de ions de hidrogênio.
-Coagulopatia: Qualquer desordem no sangue que dificulte a coagulação sanguínea.
-Hipotermia: Diminuição da temperatura corporal.
-Triade letal: A combinação de acidose , coagulopatia e hipotermia que geralmente leva a morte em um paciente traumático.

*Sistema coagulante: A temperatura e o pH dependem de um serie de reações complexas enzimáticas que resultam na formação de coagulos sanguíneos para parar tanto a hemorragia interna quanto externa.
M-H do MARCH
Por conta destes fenômenos dentro dos protocolos de medicina de combate o primeiro e mais importante item para se tratar os sangramentos massivos é o Torniquete .Tornando-se item número um em prioridade em um Kit médico nos dias de hoje junto a adição das gazes com produtos coagulantes e o preenchimento de ferida.

Juntamente a preocupação do tratamento e prevenção da hipotermia, através do uso de cobertores (ou mesmo o ato de manter o colete do operador como barreira protetiva contra a perda de calor para o solo) , mantas aluminizadas, Heat packs ( pacotes de calor) e a niveis mais avançados a infusão IV ( intravenosa) de soro aquecido.
(Protocolo MARCH https://www.tc3brasil.com.br/post/o-que-%C3%A9-tccc-tc3 )
Fontes:
Guyton & Hall 12° edição
Anatomia e fisiologia Humana- 3ª edição-Elaine Cristina Mendes Marques




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